A bicicleta e a vida

A bicicleta e a vida 2Ganhei minha primeira bicicleta aos 7 anos. Usei as rodinhas por muito tempo, me sentia segura, fazia ótimas manobras. Quando fiquei maiorzinha retirei, ou melhor, retiraram uma das rodas, e as manobras ficaram mais radicais. Um dia, sem querer, me vi em cima de uma bicicleta sem nenhuma rodinha. Não tinha opção: ou andava ou queimava o filme com a turminha. Não tive muito tempo para pensar, quando percebi me empurraram e eu fui. Claro que caí, mas subi novamente e fui tentando, caindo e levantando até que parei de cair e segui pedalando bem contente. Isso foi há mais de vinte anos, mas a imagem da minha prima me empurrando está gravada na memória.

Agora, imagina se na vida, em certos momentos, para tomarmos certas decisões ou para iniciar projetos, tivéssemos a oportunidade de usar “rodinhas”. Usaríamos no início, para ter segurança, para não cair, e com o tempo retiraríamos uma “rodinha” para nos aprimorarmos, para nos acostumarmos com a ideia, para irmos criando mais e mais confiança.

Sei que para certas coisas nessa vida a gente até tem como usar “rodinhas”, mas foram poucas as vezes em que pude aproveitá-las. Tudo que vivi até hoje foi assim no empurrão, quando vi estava lá fazendo, vivendo, arrumando a mala e indo. Talvez seja por isso que não sofro de véspera: se tem de fazer, se tem de viver, ok, vamos lá, empurra aí que eu vou.

Pode parecer loucura, imaturidade, irresponsabilidade até, mas dessa forma é que encontro coragem, rapidez e frieza, em certas situações, para resolver problemas, para iniciar ou finalizar coisas.

As “rodinhas” somente aparecem quando minhas decisões envolvem/atingem terceiros; mas se for só sobre mim, somente para mim, vou no embalo da bici. Se puder tiro até os pés dos pedais, pra ver até onde aquele empurrão vai me levar. Dependendo, ou desço da bicicleta e procuro outra, ou pedalo bem forte pra chegar aonde quero.

E que venha o próximo empurrão.

8 Responses

  • Adorei a comparação! Estou refletindo sobre
    as situações em que não vou porque desejo
    rodinhas ou empurrão. Agora caí na real de que os meus sete anos se foram com os apoios. Agora
    sou mocinha e posso ir por minha conta e risco, com quedas e vitórias……

  • Ai, tenho um pouco de neura com isso. Acho que às vezes vou demais no “empurrão”, sem nem escolher a bicicleta. Aí a vida acaba escolhendo por mim, e eu me deixando levar.

    Mas o que não falta é coragem para deixar as rodinhas pra trás!
    =D

  • aii como eu queria ter “rodinhas” em N situações da minha vida!! Ajudaria em muuuito, mas também ñ podemos ir td no embalo ne .. temos q saber usar o freio de vez emqndo se ñ é ladeira abaixo.

  • Puxa, NR, acho que tu tem toda a razão. Essa história de saber puxar o freio rendia outro post… =D

  • Freios? Rodinhas? Tem é que se esfolar o joelho no chão uma vez ou duas

  • Excelente texto. Nossa, parabéns amiga. Conseguiste fazer uma ótima comparação. Esqueceu apenas de mencionar os tombos que estas tais de bicicletas nos dão !!!! As vezes tombos muito feios – que nem o apoio das rodinhas evitariam o desastre !!!

  • Eu não sei se uso rodinhas ou se vou me equilibrando! Na verdade estou escrevendo só para parabenizá-las pelo blog! Uma das blogueiras até acha que eu não leio, mas leio sim e adoro! Parabéns gurias! Até me pego pensando embaixo do chuveiro sobre que assunto poderia começar…são tantos! Cada dia sem rodinhas na bicicleta rendem um texto diferente!

  • É verdade, devemos levar a vida sem rodinhas, mas as vezes é difícil tirá-las, mas precisamos criar coragem e acreditar que pode ser muito melhor a vida sem elas!!!
    Parabéns por mais um texto maravilhoso.
    Bjos a todas!!!!

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