Homem breja

By Jan

A cena é clássica. O cara no bar levanta o braço e pede: “Aquela loira estupidamente gelada!”. E vem o garçom trazendo uma garrafa de cerveja.

Quando o mercado introduziu tipos diferentes de cerveja, começaram os apelidos: “Aquela negra gostosa!”, “A ruiva deliciosa!”. Cerveja sempre associada à mulher.

Na minha opinião, “A Cerveja” deveria ser “O Cerveja”. Sabe por quê?

A cerveja é, sim, gostosa, deliciosa e desejada. Mas o fato de pensar que ela é uma loira, ruiva ou índia acaba com o meu tesão. Além disso, as cervejas não são tão superficiais a ponto de serem classificadas pela sua aparência.

A maior prova de que a cerveja se tornaria uma mulher indesejável é a famosa ruiva IPA. Se fôssemos classificá-la adequadamente, características desagradáveis como amarga, robusta e forte seriam evidentes. Imagina a “coroa” Barley Wine, que se toma envelhecida? Como mulher, tenho que admitir que acho tudo isso muito atraente em homens.

E, convenhamos: colarinho fica bem em homem. Não em mulher.

Como seria o “loiro”, por exemplo, na visão das mulheres? Existem vários: os pale ale, os belgas, os de trigo, os loiros mais claros e os loiros quase castanhos. Aquele loiro que se enquadra como american lager é adorado por 99% dos consumidores de cerveja. Ele é do tipo que atrai pela aparência: loiro levemente dourado, com um belo colarinho sempre e visível carbonatação que faz a gente salivar nos dias quentes. Mas ele é leve, claro e não é muito amargo. Não possui muitos aromas diferentes e nem usa muito perfume. Por não ter uma personalidade muito forte, é muito fácil de beber. É um loiro aguado que às vezes se usa de alguns instrumentos (chamados adjuntos ou cereais não maltados) para se manter. Mesmo assim, o american lager é um cara que agrada a todos e preferido pela maioria.

Eu não gosto dos caras sem personalidade. Por isso, geralmente eu me interesso por outros menos populares – e prometo falar de outros caras mais interessantes no futuro.

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