Meridiano

By Gilka

Era o dia mais quente, mais ensolarado, mais verão desta cidade inverno. Nos encontramos turistas, passageiros de nossas existências na definitiva viagem acidental desta conexão que até então ignorava fronteiras. Língua materna estrangeira.

Produtos da era digital, criamos um porto navegando análogos desabafos. Escassos caracteres recortando o plausível, publicável, glamour lamentável. A imagem da suposta felicidade online, ondemand, ordinária. Redes de barreiras emocionais. Súplicas veladas. Melodias inacabadas. Almas nunca incondicionalmente amadas.

Viajamos rio acima até onde os hemisférios se encontram. Nossos vazios tão completos. Até que cruzamos o meridiano. Aquele que divide a amizade de qualquer outra coisa ainda que milhas da eclusa de nossos corpos. A cancela do abraço. Longitude latente. Permanência covarde. Fugiste.

Era o dia mais perfeito. E já não te quero mais visitante neste meu hemisfério. Meridiano medíocre.

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The Greenwich Meridian by Thomas Ormston on Flickr

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