O "de sempre"

Certa vez, reclamando da minha solterice, uma amiga lembrou que nunca estou sozinha: sempre tenho o “de sempre” para dar uma saidinha. O “de sempre” é aquele que está ali para a hora que precisamos e que nos serve para dar carinho e prazer, basicamente. Já tive um “de sempre” que durou nove anos. Sim: nove! Fui namorada, depois amante, depois ficante, ele voltou a ser meu amante e depois nos tornamos ficantes novamente. Tudo assim, bem tranquilo.

Tive um outro “de sempre” que foi um caso ardente e durou alguns meses. Era tão intenso que eu transpirava só de vê-lo. Todos os nossos amigos sabiam da história, mas a gente nunca se tocava publicamente, apesar de estar sempre perto um do outro. Uma coisa de pele, de química. Já experimentei também o “de sempre” virtual. Depois virou carnal. Dias juntos se comendo, conversando, discutindo, mas nada era sério. Não havia regras nem compromisso. Tive ainda o “de sempre” semanal: uma vez por semana estava lá jantando fora, curtindo um motel, horas de prazer e ótima conversa.

E como tudo nesta vida tem seu lado bom e ruim, o “de sempre” é somente uma pessoa que ronda a nossa vida, mas não faz parte dela. Não pode haver cobrança de nenhuma das partes e normalmente só os bons momentos são compartilhados. Para alguns, podemos contar nossos problemas e angústias e podemos ser boas ouvintes também, mas geralmente nunca passa disto.

Para quem não tem tempo nem para si, um “de sempre” vale muito a pena. Ficamos com a parte boa do relacionamento, e na manhã seguinte já estamos de volta à nossa vida de solteira, com nosso trabalho e a nossa própria companhia.

O-de-sempre

Foto: Galeria fotografii, Projekty Logo, Grafika/Stock.xchng

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