O relacionamento amoroso

 By Laïla 

O relacionamento entre duas pessoas vai além da necessidade de suprir carências. Falar que o relacionamento “não deu certo” é como dizer que um copo de água consumido não cumpriu seu papel. Cada um, dentro de suas proporções, deu muito certo. Ambos tiveram início, meio e fim e cumpriram as funções de abastecer corpo, espírito e emoções.

O-relacionamento-amorosoO “que” da questão é a moderação. Um exemplo prático pode ser comparado com o equilíbrio que temos em consumir água suficiente para nossa hidratação. Por que não conseguimos agir da mesma maneira com relação à vivência amorosa? Pois é, desde que nascemos, coexistimos com a necessidade do H2O, mas não somos donos desse líquido, assim como não há propriedade sobre indivíduos de carne e osso. Interagimos com a natureza, mas nem sempre conseguimos o mesmo com nossa natureza.

A vida a dois também pode ser comparada com o intercâmbio de um organismo humano e seu sistema respiratório. O ar nos proporciona oxigênio e recebe nossa vida. É um eterno dar e receber, sem exigências ou posses. Cada um respeita seus próprios limites, dá o que pode e recebe o que o outro oferece.

Com essa observação, podemos aprender que o nosso medo e insegurança representam uma bagagem nociva para a interação afetiva. É como colocar um vestido de festa na mochila que vai nos acompanhar em um acampamento. Precisamos do medo e da roupa social só para alguma eventualidade. O receio marca os limites que não devem ser ultrapassados, assim como o pretinho básico lembra que não há necessidade de tirar os sapatos.

Se houver amor (simpatia, afinidade, carinho, tesão…) e cada um fizer sua parte, o relacionamento acontece naturalmente e para sempre, indiferente se foi um dia ou um século. Então, a existência de um homem e sua mulher jamais deu errada ou é errada. A vida deles só diz respeito a eles e ninguém tem o direito de atribuir denominações pré-determinadas por convenções. Se ambos precisam, ou deixam de necessitar um do outro, é porque não há um porquê a ser comunicado à sociedade.

Cada casal “deu certo” ou “dá certo” a sua maneira. A interação ocorre pelo tempo que os dois acharem necessário, semelhante ao ar e nossa vida terrestre. Quando cumprirmos o nosso ciclo, sairemos dessa esfera planetária. E isso não quer dizer que um ex-vivo não deu certo, assim como um ex-namorado.

 

Foto: Davide Guglielmo/Stock.xchng

4 Responses

  • Eu sempre achei que essa história de “não deu certo” não é legal. Ué, se durou X tempo, deu X certo. Infinito enquanto dure…

  • Legal o teu pensamento, caro (a) anônimo (a).
    Até a nossa vida no Planeta tem um tempo, imagina uma relação! Além do mais, entendo que cada namoro tem algo para ensinar para a gente.

  • Lindo post.

  • Eu sinceramente nunca tinha parado para ver os relacionamentos por esse ângulo, mas posso dizer que fiquei espantanda com tamanha veracidade deste post. Passo agora a enxergá-los com outros olhos. Diria eu que é talvez bem mais fácil, o difícil é querer que seja assim. Pois temos uma necessidade infinita de possuírmos algo ou alguém, só que esquecemos que não somos donos de nada neste mundo, nada nos pertence, somente os momentos. Por isso curtí-los o máximo possível, para amanhã ou depois não sair dizendo que não deu certo. Deu sim, naquele momento, deu. Tomara eu conseguir pensar assim.

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