Oh, mulher infiel…

Meninas, não sei quanto a vocês, mas sempre tive muuuuita dificuldade em ser fiel – independentemente do grau de paixão que nutri pelos meus parceiros. Não sei se tem a ver com a idade ou se algumas de nós realmente nascem com este probleminha. No meu caso, tenho aproveitado a idade para exercitar o autocontrole.

Desde a primeira grande paixão identifiquei este “distúrbio”. Ele morava em outra cidade e eu tinha 15 anos. Usei os dias em que ficávamos sem nos ver como desculpa para me permitir conhecer novos prazeres. Foram quatro anos de relacionamento e quarenta traições. Cheguei até a ter um namorado concomitante. E, pasmem, eu amava aquele homem (o primeiro). Mas também amava o novo mundo que se apresentava para mim: as festinhas pré-vestibular, as noitadas com vizinhos, depois a faculdade e toda a sorte de experiências que ela traz embutida.

Por ter a consciência de que aquele meu primeiro amor não merecia os trocentos chifres em sua cabeça, decidi terminar o namoro. Como ele não aceitou aquele “repentino” desfecho, me vi obrigada a contar toda a verdade. A partir daí, passei a adotar o bordão “eu faço, mas eu conto”. E foi um desastre. Perdi amores em potencial e fiz alguns homens se humilharem, aceitando as minhas confissões de arrependimento, que se repetiam invariavelmente. Achava eu que contar tudo era a maior prova de confiança que eu poderia dar a um homem. Afinal, eu jamais faltaria com a verdade. Poderia existir garantia maior?

Oh-mulher-infielPaguei um alto preço por ceder às tentações; mas resistir às investidas de outro homem seria uma prova de fidelidade? Seria fiel ao namorado e trairia meus próprios sentimentos? Passei então a procurar justificativas para trair, sendo fiel aos meus desejos. Se eu descobria uma mentira qualquer do lado de lá, já me sentia traída e, portanto, autorizada a trair, mesmo que de outra maneira. Era um saco sem fundo.

Passados alguns anos, comecei a entender que não há porque cultivar um relacionamento com alguém se há a necessidade de envolver terceiros. Então é melhor ficar sozinha. Com esta nova convicção em mente, finalmente namorei um carinha sem trair. Qual não foi a minha surpresa quando justamente aí a situação se inverteu: fui traída (não que isto não tenha acontecido antes – provavelmente só não fiquei sabendo). Mas é que vocês não estão entendendo… fui absurdamente traída! Nos nove meses que ficamos juntos, ele deve ter traçado, pelos meus cálculos, umas 90 (e algumas dentro do meu próprio apartamento, um horror). OK, “castigo por todas as relações anteriores” e bola para frente!

Depois deste, voltei a tropeçar e a derrapar em alguns momentos, mas nunca como antes. Hoje continuo tentando ser fiel e tenho sido bem-sucedida, pois permaneço convicta: se é para trair, não há porque ficar junto. Então, quando surge o momento de trair é só terminar a relação e pronto: estamos livres de qualquer culpa.

 

Foto: Diego Zarges/Stock.xchng

15 Responses

  • Bom saber que ha mais pessoas com este disturbio.

  • Qeu coisa… eu concordo que não fazer mas ficar pensando em fazer não adianta, é não trair o namorado mas trair a gente mesma. Mas também acho que é complicada essa coisa de terminar quando tiver vontade de ficar com outor cara porque nem sempre a gente quer terminar, só quer dar um tempa.

  • Primeiro
    Essas coisas variam de uma cultura para outra, de país para país. Uma traidinha básica incomoda muito menos gente na Escandinávia que no Brasil. Nesse, “fidelidade” pode significar mais do que verdadeiro cometimento emocional. E um prato cheio para o sofrimento.

    Segundo
    Hehehe! Sou uma bixa. E posso garantir que com a população masculina cor-de-rosa, relacionamentos sérios que duram mais que cinco, sete anos, sempre acabam sendo abertos. Nem sempre se conta o que se passa, na maioria dos casos, a traição é sabida mas jamais comentada. Nós homens precisamos de aventuras. Não estou falando em promiscuidade! Quando pinta a pessoa certa, no lugar certo… Parceiros que realmente se amam não se abalam por tão pouco.

    Mulheres! Tirem suas conclusões.

  • “Se o parceiro fosse sua propriedade, no mínimo você teria que pagar IPTU.”
    De uma embalagem de Serenata de Amor. Tchãnam!

  • Giuberrrto ja decidi, vou casar com uma bicha!

  • Bem que o relacionamento poderia ser encarado como um esmalte. Eu gosto de pintar as unhas com o preto, mas existem momentos do vermelho, branco, rosa….. Em instantes de substituição, o preto não é traído e eu nem me sinto culpada.

  • Lei da causa e efeito. Somente aprendeu a respeitar o próximo… depois de levar uma centena de guampas… Mas pelo pedigri da redatora, creio que a mesma fosse bonita, gostosa e cheirosa seria uma garota de programa bem-sucedida.

  • Hahaha, o comentário acima só pode ser de um homem! E, por sinal, muito mal-amado, tadinho… Também concordo que devemos respeitar o próximo, mas dizer que uma mulher que um dia traiu é prostituta, convenhamos… Só falta agora dizer que o homem que trai é que é o tal, “garanhão”! Não, porque é assim que funciona o nosso mundo machista, né? Historicamente os homens traíram as mulheres e elas tinham que fingir que não viam, tratar o caso como “natural”. Já quando acontece o contrário é um “absurdo”, ainda hoje. E bota absurdo em tudo isto, hein?

  • REALMENTE MULHER MODERNA, VC QUE POSTOU O COMENTÁRIO ACIMA! MODERNA ATÉ DEMAIS… NOSSA 40 TRAIÇÕES EM 4 ANOS. POUCO NÉ. ELA NÃO TRAIU UM DIA E SIM DURANTE 4 ANOS. ACHAS NORMAL? ACREDITO QUE VC PERTENÇA A MESMA CLASSE “ELITE” DE SENHORAS QUE MERECEM TOTAL RESPEITO. VENDO O MUNDO SOB A SUA ÓTICA, BREVEMENTE, AS MULHERES ESTARÃO FAZENDO XIXI EM PÉ ATRÁS DE UMA ÁRVORE. CERTAMENTE, SOLTEIRAS PRO RESTO DA VIDA !

  • Olha rapaz tenho pena das mulheres que ja passaram pelo tua vida, se eh que algum dia tu ja deve uma.

  • Hiiiii, que baixaria. Tem até gente gritando nesse recinto. Uó. Calem a boca que a bixa vai falar. “Cada um dá o que quiser, onde quiser, como quiser, pelo buraco que quiser. Cada um recebe o que quiser, onde quiser, pelo buraco que quiser. A falta de respeito está na mentira, na falta de coragem de ser o que se é, não no tesão pelo corpinho alheio. Vamos nos respeitar como indivíduos com sentimentos e valores diferentes. Bate boca sobre cornos é assunto para novela do “Vale a Pena Ver de Novo”. Out of date!” Fui.

  • Pela primeira vez tivemos que censurar um comentário neste espaço. Embora tenhamos como valor a pluralidade de opiniões, não permitiremos aqui baixo calão nem preconceito.

    Pedimos desculpas pela ação impositiva e solicitamos a colaboração de todos para que essa atitude não seja novamente necessária.

  • Que feio! E soube que foi um comentário em letras garrafais, possivelmente de alguém que chegou aqui justamente falando em respeito ao próximo…

  • Nossa, quanta mágoa no coração daquele mal amado. Ele esquece que independentemente de ser mulher ou homem, somos todos de carne, osso e desejos. Alguns desejos não podemos controlar, é mais forte do que nós. Eu também sofria desse “probleminha”, que hoje não sei se é realmente um problema. Penso que quando se trai, não estamos traindo somente o próximo, mas sim a nós mesmos (pois entramos em conflitos com nosso sentimentos). E acho que em primeiro lugar temos que ser fiel conosco, claro, sem brincar com os sentimentos dos outros. Mas como disse, nem sempre conseguimos controlar nossos impulsos. Concordo também que é uma questão de cultura, olhem na Índia, o cara tem várias mulheres, e daí? Todo mundo se dá bem, as famílias, as mulheres.E quando o cara morre o “irmão” assume a cunhada. Pensando bem, dependendo do caso, seria muito bom mesmo. Já pensou, aquele cunhado bonitão, gostasão?! Nem é bom pensar… viu, eu disse que é mais forte do eu, e esse pensamento seja emoção ou razão não interessa se é homem ou mulher.

  • Gente moralista é o final da várzea…eu tenho pena do coitado que está tentando pregar moral. Nos fomos educadas meu caro…e isso inclui a noção de que nós decidimos o que nos cabe melhor…e isso inclui trair ou não.

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