Sem saber

Sempre fui uma pessoa bem informada sobre o mundo, principalmente nos quesitos política e sociedade (e também sabia sobre as fofocas das celebridades, afinal de contas sou mulher). Já cheguei ao ponto de estar morando em outro país, saber tudo que estava acontecendo nele e também sobre o que acontecia no meu querido Brasil (bem na época em que a esperança venceu o medo). Depois de voltar, segui, como sempre, me informando: lendo, assistindo três jornais por noite, quando a dúvida surgia lá ia eu perguntar aos amigos mais sabidos, enfim, seguia por dentro do que estava acontecendo no mundo.

Sem-saberMas eis que algumas mudanças surgiram na minha vida, entre eles um trabalho que me deixa sem força nem vontade para nada – no final do dia só quero tomar banho, ler meus e-mails e escrever para o blog. Resultado: estou por fora do mundo já faz quase um ano, sim, um ano. Para se ter ideia, só soube que o avião da Air France caiu porque estava indo viajar, só soube que o Michael Jackson morreu porque uma amiga me mandou um torpedo.

Quer saber o que mais me surpreende? É que estou sem saber de nada e estou feliz!

Sei que não seguirei assim para sempre, então, pra não ficar tão por fora, resolvi comprar na última semana as duas únicas revistas brasileiras que, acho, merecem ser lidas: Carta Capital e Caros Amigos. E não é que me vi lendo as mesmas notícias? Sociedade que cresce desordenada, sem educação, sem distribuição de renda decente, um governo que tem de colocar sua ideologia não se sabe onde para poder sobreviver; ou seja, tudo sempre igual.

Bom saber que o debate e a crítica ainda existem, que ainda há uma imprensa que presta neste país, que se posiciona, mas que também questiona. Sei que ainda há pessoas, alguns amigos inclusive, que conversam, debatem, se informam. Mas isso está tão distante das pessoas “comuns”; do verdureiro, da faxineira, até mesmo de alguns professores. Para esses “comuns”, estar sem saber já faz parte de suas vidas, errados estão eles? Aprendi que em certos casos, para certas pessoas é melhor não questionar.

 

Foto: Brano Hudak/Stock.xchng

3 Responses

  • É minha amiga, nessas horas eu sempre lembro daquela frase: A ignorância é uma benção!

  • Hahaha, eu também gosto dessa, mas prefiro assim: “a inguinorança é uma benssã!”
    Sério agora: também gosto de me alienar às vezes. O duro é pensar que quanto menos a gente sabe, menos age, menos pode fazer para mudar as coisas. O difícil equilíbrio entre a participação social e a sanidade mental, ufff.

  • me identifiquei com o “torpedo” hahaha

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