Teu passado te condena

Teu-passado-te-condenaUma amiga, que está iniciando um novo relacionamento, me contou dia desses que tinha pedido a um primo policial para “levantar a ficha” do moço. É. A partir de RG e CPF, dá pra verificar se alguém já foi preso, processado, se está devendo na praça. Mais seguro, não? Pena que não seja tão simples tirar o atestado de sanidade.

Quando a gente começa um novo affair, parece que a pessoa ao lado não tem passado, que seu livro era feito de páginas brancas até o momento em que nós surgimos com palavras e imagens para povoar aquele universo. Aos poucos, a gente vai percebendo que as folhas só estavam descoloridas. Assim como não é possível escrever um narrativa sem começo, toda biografia tem seus rodeios.

Nessa hora, em geral pouco agradável, só não dá pra esquecer que todo mundo tem um passado; nós também. A gente apronta, faz o que acha melhor, erra, corrige os erros e segue em frente, sem lembrar que toda história deixa uma marca, que todo ato tem consequência. Se todo cara com mais de 30 tem sempre uma ex-mulher, filhos, drogas ou insucessos na sua trajetória, nós também carregamos nossos vícios, medos, uma “ficha” às vezes difícil de identificar só com o número dos documentos.

Nunca fui presa, processada ou registrada no SPC. Mas meu passado tem história, e volta e meia ele vem assombrar, sabota o futuro-presente. Ou senta na mesa ao lado. Fazer o quê? Só me resta ter orgulho de tantas páginas coloridas.

 

Foto: Stefanie L./Stock.xchng

4 Responses

  • A gente só não pode ficar falando do passado, ou então alimentando a curiosidade do parceiro, tem que cortar, o que passou, foi bom enquanto durou, mas passou. Bom fim de semana.

  • É, o problema é que mais cedo ou mais tarde o passado bate à porta… mas eu concordo, é preciso saber guardar num cantinho o que passou.

  • Teu mal é comentar o passado
    Ninguém precisa saber o que houve entre nós dois
    O peixe é pro fundo das redes, segredo é pra quatro paredes
    Não deixe que males pequeninos
    Venham transtornar os nossos destinos

    (Já dizia João Gilberto…)

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