Um amor de 30 anos

Um-amor-de-30-anosO texto da caixinha tocou fundo e incentivou a crônica a seguir. Após constatar uma lacuna emocional de 30 anos na minha vida sentimental, me comprometi, em solene convenção das Mulheres de Quinta, a escrever sobre o ocorrido. O espaço de três décadas casou direitinho com a preciosa simbologia da caixinha. O mais curioso é que nem percebi que havia passado tanto tempo. Parece que foi ontem. Que bom!

Pois eu tirei o príncipe do pequeno compartimento; ele reapareceu na minha frente do nada. Uma simples busca na internet e bingo: encontrou o meu nome, sem me procurar, e decidiu conferir.

Olhei uma novidade daqui, outra de lá, e decidi que estava na hora de pagar para ver o Mauro, depois de 30 anos. Eu apostei tudo, no tudo ou nada. Conferi que muitas coisas aconteceram no tempo que passou, mas o sentimento que pensei que não existia estava guardado no cântaro ao lado dele.

Fui observando e percebi que a minha organização psicológica havia permitido esconder preciosidades em diferentes compartimentos. Foi neste instante que o Mauro reapareceu, se transformou no homem que me permitiu maior satisfação do que o garoto de outrora. A emoção guardada foi desvendada na frente do homem maduro, mais bonito, atencioso, que chega aos poucos e com firmeza…. Vou parar este tópico por aqui porque, bem, deixa assim.

Ele me convidou para almoçar. Fiquei tão nervosa quanto qualquer adolescente que se permite viver as emoções. Ele estava a-pa-ren-te-men-te calmo, mas eu percebi que estávamos em estado de choque, de sonho, ilusão, com o questionamento tipo: será realidade?

As cenas que seguiram pareciam coisas de novela das seis da tarde, sem manifestação de testosterona ou progesterona. Isto não significa que eu não tivesse ficado com vontade, mas o tempo era curto. Graças a Deus. Senão a gente entraria em clima de Nove e Meia Semanas de Amor em plena segunda-feira. Até que seria uma ótima ideia. Após três décadas, os olhos se encontraram e, na cumplicidade, viram as mãos se afagarem e eu me senti a mulher mais feliz da Via Láctea.

Os lábios foram testemunhas do descerramento dos mistérios. O príncipe continuou príncipe e eu percebi que a realidade tem gosto bom, cheiro estimulante e toque especial.

Estes são os sentimentos das minhas descobertas com o Mauro e isto é tudo que importa no hoje, sem pensar – apesar de desejar – se vai permanecer assim pelos próximos 30, 40, 50 anos.

 

Foto: Ivan Petrov

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